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Posted by Joao Cordeiro on junho - 15 - 2015 | 0 Comment

A maioria dos gestores brasileiros não está acostumada a extrair do time os melhores níveis de entrega. Com isso, os profissionais perdem a oportunidade de gerar contribuição maior à sua companhia. Além de não alcançarem a alta performance, acabam comprometendo os objetivos empresariais, o atingimento de metas e, por fim, os resultados operacionais e financeiros. Essa declaração pode parecer exagerada. Mas, acredite, não é. Simples assim.

Com a economia recessiva, consumo interno devagar e competidores fazendo o possível para não perder participações, é imperativo que o gestor reaja e gere ambiente criativo, inovador e de agilidade. É preciso também que o gestor tenha visão positiva do futuro, sensibilidade e percepção para se antecipar aos movimentos de mercado, cavar oportunidades e conquistar resultados. Isso também não é novo. São ações esperadas e básicas de todo gestor. Dessa forma, já não basta ser apenas responsável. É preciso ir além e, aí sim, está a grande novidade do universo corporativo e mantra dos gurus da administração contemporânea.

Empresas de alta performance resistem melhor a momentos de crise e saem mais rapidamente de situações difíceis por causa de nova variável: ter gestores com habilidade de pensar, agir como dono e gerar resultados excepcionais. É o profissional, com essa competência, que começa a ser disputado pelas corporações.

O conceito está relacionado a algo incomum em nosso idioma: a accountability pessoal, apresentada aqui como virtude moral, que leva o ser humano a evoluir a percepção da responsabilidade, encontrando oportunidades de deixar contribuição maior. Também encoraja os indivíduos a assumir papel protagonista em vez de se comportarem como vítimas. A conclusão é prosaica e eficiente: a accountability pessoal é o atalho para se ter profissionais mais completos, sem desculpas ou justificativas, com entrega de resultados consistentes. Assim, cada pessoa é potencial influenciador e inspirador dos stakeholders. O modo accountable de trabalho beneficia a todos e faz do gestor profissional focado, exigente consigo mesmo e intolerante com baixos níveis de performance.

Aristóteles (385-322a.C.) não acreditava que nascêssemos prontos, do ponto de vista moral. Nessa direção, as virtudes deveriam ser apresentadas ao indivíduo, incorporadas e aprimoradas ao longo da vida. Assim, como a definição original do pensador grego, a Accountability Pessoal também pode ser aprendida e aprimorada. O antivalor de accountability pessoal é desculpability — habilidade de afastar de si a responsabilidade, culpando os outros ou as circunstâncias.

A perversidade, nesse caso, é que a desculpability é inata e instintiva. Explico: nascemos prontos para nos proteger, defendendo-se das críticas. Assim, ela pode ser aprimorada e contamina as famílias, a sociedade e, consequentemente, o trabalho. Se fizermos uma comparação com a Teoria de Mecanismos de Defesa, elaborada por Sigmund Freud (1856-1939), talvez a projeção seja o mecanismo de defesa que mais se aproxima da desculpability, no qual sentimentos próprios e indesejáveis são projetados a outras pessoas.

É por meio da desculpability, portanto, que revivo a primeira provocação deste texto. O executivo brasileiro, de tanto ouvir desculpas, tornou-se tolerante com a baixa performance do time e, apesar de termos, por aqui, excelentes modelos de cultura de alta performance, muitos gestores ainda desconhecem as ferramentas para reverter esse quadro. E uma dessas ferramentas é a accountability pessoal.

Parte dessa complacência advém do próprio modelo do pensamento nacional, facilmente observado pela tolerância que temos em relação aos problemas que enfrentamos no dia a dia. São condições que afetam indiretamente a nossa estima, o nível de exigência e que, inconscientemente, refletem nas decisões dos gestores. Ser Accountable é pegar para si a responsabilidade, sem medo.

Não estou sozinho nesse fórum de reflexão. Segundo estudo global da McKinsey & Company, publicado no McKinsey Quartely, de abril de 2014, accountability é uma das nove dimensões da saúde organizacional, resultado de ampla pesquisa com empresas privadas. Quem vivencia esse conceito extrai de dentro de si o que há de melhor no ser humano, a coragem para agir como dono do próprio destino, tornando-se pessoa mais completa em diversas dimensões.

Um profissional accountable se transforma em protagonista e não em mero espectador da vida corporativa, tornando-se embaixador da cultura proativa das nossas organizações. Eu o convido a refletir e se assim decidir, a vivenciar accountability pessoal tanto na dimensão pessoal, quanto na profissional, encontrando dessa forma papéis cada vez mais nobres para a nossa sociedade.