Os perigos da Desculpability para a cultura organizacional e como implementar a Accountability na sua empresaEm nossa trajetória de carreira, é comum que nos deparemos com líderes e colegas inspiradores, capazes de propor ideias que mudam as rotas de um negócio e que nos motivam a se engajar em um processo de desenvolvimento conjunto que beneficia todo o ecossistema de uma empresa (dos clientes aos tomadores de decisão). Ao mesmo tempo, há também aqueles que, por diferentes razões, entraram em uma zona de conforto, parecem estagnados em suas carreiras e, alguns casos, até influenciam negativamente o clima de uma organização. Seja por estarem sempre culpando os outros por suas ações ou por assumirem uma postura de vitimização e se colocarem na posição daqueles que constantemente reclamam, mas não propõem soluções para os desafios que, afinal de contas, fazem parte de qualquer contexto profissional e de vida. Graças a uma série de hábitos e processos psicológicos limitantes construídos ao longo de uma história, esses profissionais deixam de exercer todo o seu potencial, autonomia e criatividade, entrando no terreno da Desculpability – um modelo mental em que, literalmente, indivíduos passam a não se responsabilizar por suas atitudes e vivem criando desculpas para não superar obstáculos, conquistar seus objetivos e para não atuar de modo colaborativo na sociedade, mercado e âmbito pessoal. Você certamente conhece alguém que acha que o problema nunca é dele ou com ele, mas sempre "dos outros". Sem dúvidas, estamos falando de alguém que já está se colocou na estrutura psíquica da Desculpability.  

Os impactos da Desculpability

Por sua vez, os impactos da Desculpability para o ambiente corporativo são diversos e podem afetar, no longo prazo, questões como: ● A produtividade das equipes; ● O engajamento e o interesse dos times pelos objetivos do negócio – afinal de contas, indivíduos que adotam a Desculpability em suas trajetórias profissionais não só não vestem a camisa, como influenciam os colegas a agirem da mesma forma; ● Desunião/falta de integração entre os colaboradores; ● Falta de governança e transparência; ● Os resultados da empresa – via de regra, quem está na Desculpability tem uma baixa performance e contribui para que esse desempenho ganhe escala na empresa. E, quando falamos de líderes adeptos da Desculpability, os impactos podem ser ainda mais prejudiciais, uma vez que ocorrem constantes falhas de comunicação com seus times e pares; há um baixo comprometimento com as metas do negócio; falta de senso de responsabilidade e uma pressão nas equipes – no sentido de que o líder poderá sempre culpar seus subordinados pelos maus resultados que, de fato, tendem a acontecer, considerando-se que os talentos poderão seguir o exemplo negativo de seus superiores.  

Accountability: o processo de transformação

Mas a boa notícia é que, apesar de tudo, esse modelo mental pode e deve ser transformado. No contexto profissional, lideranças responsáveis têm um papel decisivo no sentido de trabalhar a mudança de postura de cada um de seus talentos, de modo que eles iniciem uma trajetória que os leve da Desculpability para a Accountability. Esse processo, inicialmente, envolve o reconhecimento. Perceba, em suas equipes, quais colaboradores demonstram comportamentos da Desculpability, tais quais: ● Excesso de individualismo; ● Má vontade para com processos, projetos e com os outros colegas; ● Comportamento alheio/falta de interesse; ● Dá sempre desculpas, culpa os outros e age como vítima; ● Dá justificativas sem necessidade e "só reclama". Feito esse diagnóstico, não se trata aqui de simplesmente reprovar o comportamento de um profissional. Muitas vezes, você terá diante de si um talento que precisa ser lapidado e uma boa liderança será aquela que investe em processos educacionais, leituras e trocas que estimulem o profissional a abandonar aquele modelo mental e, gradativamente, assumir a autonomia sobre sua carreira e as responsabilidades sobre suas atitudes. Naturalmente, é preciso que haja o desejo do colaborador em se desenvolver. Ao perceber o interesse, esse é o primeiro passo para a transformação e fortalecimento das virtudes da Accountability. Nossa academia pode apoiar sua empresa nessa jornada. Lembre-se: há sempre um caminho para a mudança e para a superação dos complexos (mas não intransponíveis) desafios da Desculpability. Você, líder, está preparado para essa trajetória que certamente irá contribuir com os resultados excepcionais da sua organização?A importância da liderança na construção de uma cultura com AccountabilityDentro do processo de construção de uma carreira bem-sucedida, o papel que uma liderança pode assumir no sentido de influenciar positivamente o comportamento, atitudes e a percepção autônoma necessária para que responsabilidades sejam assumidas de modo proativo parece claro quando analisamos alguns dados do contexto corporativo atual. De acordo com uma pesquisa da Gallup, por exemplo, o engajamento das equipes está diretamente relacionado com a influência de seus líderes diretos, ao passo que lideranças de excelência são capazes de aumentar em mais 70% a produtividade dos times e, consequentemente, potencializar as relações de confiança. Tais fatores combinados, por sua vez, tendem a contribuir objetivamente para a geração de resultados, incluindo o aumento de faturamento nas empresas. Em outras palavras: estamos falando de uma cultura organizacional na qual os valores da eficiência se combinam com uma visão de gestão humanizada baseada na confiabilidade mútua e tudo isso, por sua vez, só se constrói quando a Accountability faz parte desse hall de virtudes que perpassam todas as camadas do negócio–e, naturalmente, espera-se que os líderes sejam capazes de contribuir com essa perspectiva tão assertiva na geração de valor para as empresas. Não por acaso, em outro estudo conduzido pela Indeed, a capacidade de incentivar e apoiar os colaboradores no crescimento pessoal e no desenvolvimento de carreira é a habilidade mais requisitada pelas organizações na busca por novos líderes, em conjunto com competências como ada comunicação, saber transmitir conhecimento e a capacidade de ensinar tanto colegas, quanto liderados. Mas como colaborar com a evolução de talentos e, concomitantemente, fazer com que eles assumam, com responsabilidade, o "sentimento de dono" sobre suas carreiras?

Os desafios na jornada da Accountability e o movimento de mudança

Em um estudo global conduzido pela Lee Hecht Harrison, dois dados interessantes merecem ser destacados: o primeiro deles é positivo e revela que, para mais de 72% dos entrevistados do universo corporativo, a Accountability é uma demanda essencial para as organizações. Em contrapartida, somente 37% dos participantes afirmaram estar satisfeito com o nível de Accountability apresentado pelos seus líderes. Em outras palavras: há um gap na própria formação de líderes accountables ou accountables leaders que, por consequência, tende a influenciar negativamente na conquista dos objetivos descritos ao longo deste artigo. Afinal de contas, como transmitir o senso de dono moral que fortalece a autonomia sobre as carreiras e a geração de resultados nas empresas quando os próprios líderes ainda não dominam uma mentalidade de Accountability? Por outro lado, um desafio é também uma oportunidade de mudança. O líder deve, antes de tudo, investir em seu processo de autoconhecimento e no estudo de estratégias que fortaleçam suas virtudes de Accountability – ao invés de ignorar ou fingir não reconhecer seus pontos de melhoria – ,rompendo assim com crenças limitantes e sendo, a partir de então, também capaz de difundir conhecimentos e valores que engajam, geram confiança e resultados.

Líderes inspiram e são também professores

Pois líderes são, antes de tudo, aqueles capazes de reconhecer (virtudes e pontos de evolução neles mesmos e em suas equipes; assim como desafios e oportunidades no contexto macro de uma empresa); de incorporar e aprimorar hábitos/processos e estratégias; e, em seu grau mais elevado, estão prontos para ajudar os demais a acompanharem essa jornada de evolução e transformação. Para que tudo isso seja, de fato, conquistado dentro de uma mudança de longo prazo – na cultura das empresas e na vida de indivíduos – a Accountability se coloca como uma base central para os líderes eficazes e inspiradores. Navegue em nosso site para conhecer mais sobre os cursos e publicações que podem te ajudar nesse processo e não crie desculpas para a excelência. E aproveite para descobrir como ter uma visão completa sobre as demandas das lideranças no ambiente corporativo. Te convidamos a fazer o download do novo e-book gratuito da Accountability Academy: "Desenvolvendo líderes de sucesso". A Desculpability na liderança: como evitar esse modelo mental e inspirar sua equipe a entregar resultados excepcionais?"Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única." A frase do filósofo e teólogo alemão Albert Schweitzer fornece um importante norte para que se entenda o papel da liderança de uma organização no sentido de estimular comportamentos e posturas éticas que podem contribuir positiva ou negativamente para o sucesso daquela empresa. Pense, por exemplo, na Desculpability–conceito analisado recentemente em nosso blog que envolve as atitudes de não se posicionar, dar desculpas e de responsabilizar (de modo contínuo) os outros por falhas ou contextos indesejáveis–e no qual danoso para um negócio pode ser esse modelo mental quando ele se insere no contexto dos tomadores de decisão da empresa. Afinal de contas, se uma das principais atribuições de uma liderança corporativa é inspirar colaboradores a conquistarem resultados de excelência–bem como, de apoiar o desenvolvimento dos talentos de seus times–ao assumir um posicionamento de fuga de responsabilidades e da falta de uma comunicação transparente e assertiva a respeito do que se espera da equipe, os líderes, na prática, estão contribuindo para a construção de uma cultura sem uma base accountable na qual os profissionais (de todos os níveis) podem desenvolver o sentimento de dono tão requisitado no mercado atual. Seja por receio de criar conflitos ou simplesmente pela repetição de um padrão de comportamento que talvez faça parte de um modelo mental de um determinado grupo. O fato é que, a Desculpability na liderança, no longo prazo, pode gerar efeitos como o aumento do turnover – pela falta de confiança que o gestor inspira em seus liderados – e os baixos índices de eficiência, uma vez que as atribuições das equipes e a metas não foram distribuídas com clareza e segurança. A boa notícia é que, embora desafiador, é possível identificar comportamentos de Desculpability e criar estratégias para a construção de um ecossistema interno reverso a esse modelo mental e com as virtudes da Accountability.  

Identificando a Desculpability: a superação em prol do crescimento de pessoas e organizações

O primeiro passo para a liderança é investir em um processo de autoanálise sincero e minucioso. Perceba, por exemplo, se em situações do dia a dia, os feedbacks não estão sendo transmitidos com a objetividade e a empatia necessárias, tanto para que o colaborador possa entender, de fato, aquilo que dele se espera, quanto para estimulá-lo a manter um canal aberto, expondo eventuais dificuldades e construindo um diálogo franco. Outro ponto importante é trabalhar o desenvolvimento de soft skills de comunicação, proatividade e capacidade para negociação e delegação de tarefas, virtudes básicas, mas que, aos poucos, vão construindo uma perspectiva accountable para a transformação positiva de um modelo de liderança. Finalmente, percebida a existência da Desculpability, líderes podem investir em cursos e mentorias que as e os auxiliem a construir uma jornada de mudança deste modelo mental, de modo que seja possível alcançar patamares mais elevados de liderança baseados em influência positiva, comunicação e exemplo.  

Desenvolvendo valores da Accountability nas equipes

E, para um líder de excelência, não basta mudar individualmente seu comportamento: é preciso estimular as virtudes da Accountability em todas as camadas do negócio – entre suas equipes, pares e colegas. Para tanto, lembre-se: há indivíduos que só de saberem que outras pessoas estão contando ele, já conseguem dar o primeiro passo para "vestir a camisa" da empresa. Em outros casos, será preciso um acompanhamento mais individualizado, com feedbacks construtivos, orientação contínua e construção de uma relação de transparência e confiança para que os talentos possam se destacar. Seja qual for o cenário, você pode contar com a Accountability Academy para transformar a cultura de uma empresa e desenvolver modelos de liderança que contribuem para o crescimento de pessoas e de resultados! Fale com um de nossos consultores agora mesmo.Desculpability vs. Accountability: qual é o impacto de cada modelo mental na sua carreira?Quando pensamos nos caminhos que precisam ser trilhados para a construção de uma carreira de sucesso, são muitas as competências organizacionais, soft e hard skills que, ao longo de um processo de aprendizado contínuo, precisam ser colhidos e aperfeiçoados. Em um levantamento divulgado pela ZipRecruiter no ano passado, por exemplo, habilidades que incluem uma boa comunicação, o planejamento e a gestão do tempo estão entre as capacidades mais buscadas pelos recrutadores. E, nesse escopo de conhecimentos, sem dúvidas, a proatividade – que envolve o poder da autoiniciativa e de se responsabilizar, de tomar para si iniciativas – é um valor e uma atitude bastante requisitada. Para termos uma ideia sobre a importância dessa competência, de acordo com outra pesquisa (Guia Tendências de RH), a proatividade foi considerada essencial no perfil de profissionais para mais de 67% dos entrevistados. A proatividade, por sua vez, é um skill que está intimamente ligado ao modelo mental da Accountability – que, conforme explicamos neste artigo, diz respeito a um mindset a partir do qual pessoas são capazes de assumir um senso de dono moral nas suas trajetórias profissionais, se responsabilizando sobre seus atos e entendendo os impactos (positivos e negativos) de cada uma de suas atitudes. Por outro lado, há outras perspectivas que, ao invés de aproximá-lo da conquista de objetivos de carreira, podem distanciá-lo e transformar um profissional com potencial de crescimento em alguém estagnado, que se paralisou diante das oportunidades e mudanças que fazem parte do ambiente de negócios contemporâneo. Uma delas é a Desculpability, você já ouviu falar?  

Desculpability: o modelo da fuga

  O termo “Desculpability” foi analisado por João Cordeiro em seu livro "Desculpability: Elimine de vez as desculpas e entregue resultados excepcionais", o qual explica, que para alguns, dar desculpas e culpar os outros deixou de ser uma simples mania passageira e passou a ser um modelo mental definitivo, tornando-se uma parte presente e constante de sua personalidade. Além disso, em sentido contrário a proatividade – e ao campo mais amplo das virtudes pessoais da Accountability – no modelo mental Desculpability, muitas vezes, o profissional se coloca em uma armadilha para o desenvolvimento de sua carreira que consiste em fingir que não está acontecendo nada. Em outras palavras: ele não assume uma atitude propositiva, faz o mínimo necessário e parece incapaz de se comprometer e "vestir a camisa" de projetos, objetivos organizacionais e conquistas de longo prazo. Embora, em um primeiro momento, a Desculpability possa parecer inofensiva, manter-se alheio e em rota de fuga as exigências do mercado, forma profissionais que, uma última instância se prejudicam diante da necessidade de atualização e da capacidade de inovar – sobretudo em um mercado guiado por transformações e disrupções a cada minuto.  

Accountability: fortalecendo a proatividade e outras virtudes

  Embora seja, de fato, bastante desafiador superar o modelo mental da Desculpability – principalmente quando esse elemento já compõe uma parte formativa da personalidade de um indivíduo – João Cordeiro explica que é possível neutralizá-la por meio da Accountability pessoal que, além de fortalecer as competências que citamos na introdução deste artigo (incluindo a proatividade), na prática, nos faz pensar e agir como donos, independentemente do momento de nossas carreiras, e a entregar resultados excepcionais que, consequentemente, contribuem para a nossa evolução profissional. Em outras palavras: o modelo mental que irá guiar sua trajetória parte também de uma escolha e, se você se enxerga atualmente na estrutura da Desculpability, que tal buscar apoio para uma transformação pessoal que pode gerar frutos positivos em sua carreira? Conheça os cursos da Accountability Academy e abrace a mudança. Clique aqui e fale com um consultor.Por que o Brasil precisa de virtudes morais?Quem realmente está ensinando virtudes morais para a próxima geração? Não sei o quanto isso te preocupa, mas eu tenho pensado muito sobre esse assunto nos últimos anos, principalmente após a publicação do meu primeiro livro, Accountability, a Evolução da Responsabilidade. Com o livro no mercado, passei a receber de leitores, diversos casos que me fizeram refletir sobre o futuro do nosso país, como esse, por exemplo: Em uma escola particular bem tradicional, localizada em uma das capitais do país, ocorreu no final do ano passado um caso bizarro. Durante o intervalo, um aluno perdeu o seu iPhone. No caminho de volta para a sala de aula, ele topou no corredor uma rodinha de alunos de outra turma, na qual um dos adolescentes contava alegremente aos seus amigos que havia tido a sorte de achar um iPhone. Quando o dono do aparelho disse que era dele, o aluno que encontrou o aparelho disse que não iria devolve-lo. A “negociação de cavalheiros” durou apenas alguns segundos. Rapidamente, evoluiu para um bate boca, que por sua vez foi escalonado para ameaças em voz alta, do tipo: “Vou te pegar na saída!”. O bedel interveio e o caso foi parar na diretoria. Mas, mesmo lá, diante da coordenadora pedagógica e da diretora, o aluno “sortudo” que encontrou o iPhone se negava a devolver o aparelho. Em função disso, seus pais foram intimados a comparecer - em caráter de emergência - na escola. No dia seguinte as 7:45, o aluno que achou o iPhone e seus pais, um casal de médicos conhecidos na cidade, compareceram a sala da diretoria. Assim como os pais do aluno que havia perdido o tal aparelho. A sala ficou cheia e o clima pesado. De um lado da sala, estavam os pais com o filho “sortudo”. Do outro lado, os pais com o filho “azarado”. No meio estavam a coordenadora pedagógica e o bedel que apartou a briga. Após ouvirem da diretora a explicação do que ocorreu, usando termos bem suaves como, “o que ocorreu deve ter sido um mal entendido” ou que, “provavelmente foi uma confusão entre os aparelhos” e até mesmo sugerindo que talvez “tudo não passava de uma brincadeira de um outro adolescente que não estava presente”, ela pediu que o aparelho fosse devolvido ao dono. O pai do garoto “sortudo” ouviu e respondeu calmamente a todos: “ Meu filho não vai devolver nada. Achado não é roubado e quem perdeu é relaxado!” A criança não nasce pronta do ponto de vista da moral e da ética, assim como uma criança não nasce sabendo virtudes acadêmicas tais como: português, matemática, história, geografia e outras matérias do ensino fundamental I, ela também não nasce pronta do ponto de vista da moral e da ética. Pais de crianças pequenas geralmente não gostam muito de ouvir isso, entendo. É difícil olhar para aquela coisa linda que temos em casa e imaginar que ela está moralmente incompleta. Acreditar que as crianças nascem prontas é uma grande tolice. O pai ou a mãe que acredita nisso, além de retirar de si a responsabilidade por desenvolver seu filho, delega inconscientemente essa formação para outros. Alguém um dia vai pagar essa conta. Virtudes morais são fundamentais para o convívio na sociedade: sem elas, a criança pode crescer com grande chance de se tornar um adulto agressivo, desonesto, egoísta, indiferente, preconceituoso e racista. Se por um acaso, alguém abandonar um bebê em uma floresta e ele venha a sobreviver ajudado por animais, sem a presença de humanos por perto, dificilmente ele agirá como um humano. É provável que ele mal consiga fica em pé, em uma posição ereta. Como também a chance de que ele venha a formular frases é muito pequena. Mesmo os comportamentos relativamente simples como o sorrir, ele terá dificuldades em elaborar e muito menos desenvolver empatia. Essas habilidades necessitam de um processamento mental que recruta um conjunto de neurônios específicos, denominados de neurônios de espelho. Localizados no lóbulo frontal, os Mirror Neurons são ativados através da referência social, em outras palavras, a criança precisa ver ou perceber o comportamento no adulto para imitar. Tarzan e Mogli, são lindas histórias, mas, infelizmente, estão muito mais para romance do que para a realidade. No livro, Feral Children and Clever Animals: Reflections on Human Nature, de Douglas Candland, o autor estuda alguns casos de crianças resgatadas de selvas, ele os compara com animais inteligentes. Sem referência social e sem contato com princípios morais, voltamos a nossa origem, Homo Habilis. Há algumas décadas atrás, valores e princípios morais eram ensinados nas famílias pelos pais e avôs, porém hoje em dia, isso não ocorre plenamente. Essa formação foi delegada para outros, tanto consciente quanto inconscientemente. Parte foi transferida para as escolas, outra parte, indiretamente foi para o YouTube, Netflix e WhatsApp, Instagram, Facebook, Big Brother e outros. Apesar de algumas escolas particulares já estarem fazendo movimentos no sentido de educar comportamentos sócio-emocionais, nem todas estão preparadas para o ensino dessa habilidade. Já em relação as escolas públicas, algumas tiveram no passado um papel importante na formação ética e moral, mas atualmente mal conseguem dar conta do currículo básico. O primeiro contato que tive com ensino de virtudes morais para crianças foi em 1982, quando visitei pela primeira vez uma escola em Kokkola, Finlândia. Fiquei chocado com o que vi e descobri que países que ensinam virtudes morais desde cedo, além de estarem classificados entre os melhores sistemas de ensino do mundo, são também os menos corruptos. Será coincidência? Me refiro a Coréia do Sul, Dinamarca, Finlândia, Japão, Noruega, Nova Zelândia e Suécia. Lá, em algumas escolas mais e em outras menos, crianças a partir dos 4 anos, aprendem através de atividades pedagógicas, conceitos que irão fornecer a base da cidadania. Além da macro virtude Accountability pessoal, elas também aprendem as 17 virtudes essenciais para a cidadania como a colaboração, compaixão, coragem, diversidade, disciplina, equilíbrio, franqueza, gentileza, gratidão, honestidade, honra, humor, integridade, lealdade, persistência, prudência e respeito.  Os países que ensinam virtudes morais para crianças são classificados como os melhores sistemas educacionais do mundo além de serem os menos corruptos. Accountability pessoal é uma macro virtude moral porque quando ela é genuinamente incorporada, ela estimula ou acorda outros comportamentos absolutamente saudáveis. Como por exemplo, o pensar como dono moral, que significa que o individuo deixa de lado o modelo mental de ser vítima das circunstâncias e passa a assumir o papel de protagonista do seu próprio destino. Isso se aplica na vida pessoal, na vida familiar, na sociedade e na vida corporativa.